Caro menino crescido, o que você fez comigo? Apresentou-me uma parte de mim eu desconhecia, me fez notar a beleza de coisas que eu sequer via. Despertou em mim esse sentimento constante de poesia. Despertou esse sorriso bobo que costuma amanhecer comigo.

O que acontece comigo? Que agora choro em todos esses filmes bobos de finais felizes. As lágrimas não eram reservadas para aqueles finais tristes acompanhados da morte de um cachorro inocente? O que acontece comigo? Que até mesmo gosto dos dias ensolarados quando sempre amei dias nublados. Que tenho essa vontade de viver todos os dias como nunca mais.

Caro menino crescido, devo confessar, eu não acreditava em nada disso até você chegar. Eu não acreditava que poderia gostar tanto de um sorriso. Eu não acreditava que um simples “bom dia” nas mensagens do meu celular poderia ser uma das melhores maneiras de acordar. Eu não imaginava que poderia passar horas discutindo sobre o tempo e espaço. Eu não acreditava que eu poderia acreditar.

O que aconteceu comigo? Que me olho no espelho e gosto um pouco mais do meu sorriso. Que vejo meu reflexo e já não tenho tanto a reclamar, apenas pontos a melhorar. Que visto o que me couber, que visto o que quiser quase nem pensando se alguém irá julgar. Que aprendi a gostar um pouco mais de mim a cada dia.

Caro menino crescido, você me confessou medos e desejos, é por isso que também tenho tanto a confessar. É por isso que preciso dizer: no momento em que me apaixonei por você também me apaixonei por mim. É por isso que preciso pedir: se um dia partir, não leve contigo essa parte de mim que acabou por despertar.

E enquanto ficar, venha contar estrelas comigo, passar noites em claro e dormir dias inteiros. Enquanto ficar, me faça companhia em banhos de chuva gelada e abraços calorosos. Me inspire a escrever novas poesias, a respirar contos e viver de sorrisos bobos.